Por isso, vemos
tantas mulheres e homens casados que levam uma vida dupla.
Neste caso, a pessoa se assume somente para si (e, talvez,
um grupo de amigos), mas não para a sociedade. Ninguém
está falando para sair gritando aos quatro ventos que
é gay, mas, estar casado e sair com outra pessoa, é
uma traição como outra qualquer.
Ela é velha
inimiga dos homossexuais. A psicóloga evangélica
Rozângela Alves Justino, fundadora da Associação
Brasileira de Apoio aos que Voluntariamente Desejam Deixar
a Homossexualidade (?), prega o tratamento de cura a homossexuais.
No ano passado, porém, o Conselho Regional de Psicologia
(CRP/RJ) tentou cassar o registro de Justino. Mas parece que
a psicóloga ainda não desistiu de sua cruzada
anti-gay.
Justino acredita tanto na cura de gays que
ela já recolheu assinaturas para um abaixo-assinado
que pretende revogar a resolução 01/99 do
Conselho Federal de Psicologia, que proíbe profissionais
da área a tratarem a homossexualidade como doença.
Com o título Garantindo o direito de ajudar
pessoas a deixarem a homossexualidade, o documento
justifica que seria preciso lutar pelo direito de
ajudar pessoas a deixarem a homossexualidade e realizarmos
trabalhos preventivos. De conteúdo abertamente
homofóbico, o texto afirma que se não
tomarmos providências, eles [os homossexuais] podem
tentar fechar até igrejas. A psicóloga
termina sua carta evocando proteção divina:
Que Deus nos abençoe, em nome de Jesus!
Segundo a psicóloga, nos últimos 15 anos
ela conseguiu mudar a orientação sexual de
vários pacientes que a procuraram. O comportamento
homossexual é mais fácil de mudar - deixar
de namorar homo, de freqüentar "points" gays
ou namorar e casar com alguém do sexo oposto. A pessoa
pode mudar o comportamento e lutar com a orientação.
É possível a mudança da orientação
homossexual, além do comportamento, embora a orientação
possa levar mais tempo que o comportamento, acredita.
Sobre as Paradas gays, Justino defende que elas estão
se transformando em festa folclórica brasileira.
As passeatas gays se transformaram na bola da vez
para atrair o turista nacional e internacional. Nestas,
famílias levam seus filhos para se divertirem às
custas da miséria humana, embora os ativistas gays
acreditem que as passeatas sejam medidas para melhor aceitação
social de sua condição, argumenta.
Na opinião de Justino, os homossexuais necessitam
de aceitação pessoal e confirmação
de sua masculinidade/feminilidade, principalmente por parte
de pessoas do mesmo gênero. A psicóloga
diz que gays e lésbicas apresentam uma carência
incomum do amor por pessoas do mesmo sexo e precisam ser
amados e acolhidos como um pai ou uma mãe ama e acolhe
a um filho.
Outra entidade que tenta converter gays é
o Movimento pela Sexualidade Sadia (MOSES), que organiza
cursos para aqueles que querem deixar a homossexualidade.
Entidades de defesa de GLBT já entraram com vários
pedidos nos Conselhos Regionais de Psicologia para tentar
cassar o registro de profissionais que insistem em "curar"
gays.
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Psiquiatra americano diz que sim, com muito esforço
pessoal
O psiquiatra Robert Spitzer, da Universidade Columbia, eletrizou
o congresso com uma afirmação de grande repercussão:
que os homossexuais podem tornar-se heterossexuais, se tiverem
"disposição para isso". Para sustentar
essa tese, ele mostrou o resultado de um estudo realizado
com 200 gays que tinham procurado ajuda para mudar de orientação
sexual. Pelos dados de Spitzer, 66% dos homens e 44% das mulheres
conseguiram de fato. Seus colegas ficaram estarrecidos, pois
desde os anos 70 a psiquiatria americana aceitou como dogma
a tese de que terapias para mudar a orientação
sexual carecem de bases científicas. Isso porque não
se chegou ainda a uma certeza sobre a origem da homossexualidade.
A maioria dos cientistas até acredita que a biologia
possa ter papel determinante, o que dificultaria ainda mais
os esforços de quem quer deixar de ser gay.
O assunto é tão pantanoso que no mesmo congresso
dois psiquiatras de Nova York apresentaram outro estudo
tentando provar exatamente o contrário. Neste, realizado
com 202 homossexuais submetidos a terapia para mudar a orientação
sexual, 178 fracassaram totalmente e apenas seis conseguiram
o que eles chalogia possa ter papel determinante, o que
dificultaria ainda mais os esforços de quem quer
deixar de ser gay.
Será o bastante para alterar o objeto da atração
sexual mudar apenas o fator ambiental? Muitos grupos religiosos
consideram o homossexualismo um pecado e pregam a conversão
como forma de salvação. O primeiro a lançar
a idéia foi Frank Worthen, um ex-gay americano. Em
1976, depois de ter encontrado na Bíblia a solução
para seu homossexualismo, ele fundou a Exodus, uma instituição
multinacional com 135 filiais em todo o mundo para converter
os gays. A Exodus declara ter convertido 300.000 pessoas,
com índice de sucesso (isto é, sem recaídas)
de 30%, com aconselhamento teológico e instrumentos
de auto-ajuda baseados em grupos como os Alcoólicos
Anônimos. O problema é que, com freqüência,
vários líderes da entidade se enquadram nos
outros 70%. O mais famoso é John Paulk, que se tornou
uma espécie de garoto-propaganda da causa. Homossexual
e travesti desde a adolescência, ele há três
anos abandonou aquilo que a Exodus chama de "estilo
de vida gay" para se transformar num pai de família,
casando-se com uma ex-lésbica. No ano passado, Paulk,
então presidente da entidade nos Estados Unidos,
foi flagrado num bar gay de Washington, acompanhado de outro
homem. Pediu desculpas, mas acabou defenestrado da presidência
da Exodus.
Casos como o de Paulk colocam em dúvida se é
realmente possível deixar de ser gay. O caminho está
atulhado de tentativas fracassadas e não há
consenso sobre a eficácia de alguma forma de terapia.
"São verdadeiras lavagens cerebrais que induzem
as pessoas a negar sua sexualidade", diz a psicóloga
paulista Ana Bock, presidente do Conselho Federal de Psicologia.
"O que se explora é o sofrimento causado pela
discriminação, e nem sempre as pessoas querem
deixar de ser homossexuais, apenas querem se livrar do preconceito."
Nesse assunto movediço, é possível
também encontrar quem tenha passado pela experiência
e não se arrependa. João Luiz Santolin, coordenador
do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), uma entidade
brasileira criada nos moldes da Exodus, converteu-se aos
18 anos e vive há dezessete "limpo". "Não
penso mais naquilo, sou uma pessoa normal. Afinal, quando
era criança, eu gostava de pipa e futebol como qualquer
outro homem", diz ele. "Ninguém nasce homossexual
e qualquer um pode largar esse vício." A coordenadora
da Exodus brasileira, Rosângela Alves Justino, pensa
da mesma forma. "Trata-se de um pecado, como a prostituição
e o adultério", prega.
Muitas são as teses sobre o homossexualismo, várias
foram as formas de tentar explicá-lo, uma coisa é
certa, o amor existe e não precisa de motivos para
justificar a sua existência, e ir contra o sentimento
é o mesmo que não viver!
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