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A
primeira impressão de quem chega ao centro histórico
é que aquilo só pode ser o cenário
de uma novela de época. Fachadas coloridas, balcões
de ferro trabalhado e igrejas centenárias acenam
ao visitante com a riqueza de outros tempos. Boa parte das
construções foram erguidas no século
18, quando a cidade viveu seu auge: na época, funcionava
como passagem do ouro que saía de Minas Gerais. Mais
tarde, entrou na rota do café, o que trouxe ainda
mais fartura. Em 1966, Paraty foi declarada patrimônio
nacional -mas só virou destino turístico dez
anos depois, com a abertura da rodovia Rio-Santos.
TERRA DE ARTISTAS
Caminhar
sem destino é uma das maiores diversões em
Paraty. Turistas brasileiros e europeus se divertem entrando
e saindo das lojinhas, ouvindo a música ao vivo que
ecoa das janelas, visitando monumentos antigos. Para quem
gosta de compras, é uma festa: as lojas trazem peças
de qualidade, feitas por artesãos e artistas locais.
Vale
lembrar aos marinheiros de primeira viagem que é
comum chover em Paraty, especialmente entre dezembro
e março. Guarda-chuva e capa são itens
de sobrevivência básica, e o piso de pedra
irregular pede tênis e sandálias baixas
-mesmo nos dias de sol.
Quem não vê a hora de entrar no mar vai
ter que ter um pouco de paciência: é preciso
pegar um barco ou rodar um pouco de carro para chegar
a uma praia bacana. |
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NAVEGAR
É PRECISO
Passeio de barco é programa obrigatório:
não é todo dia que dá para escolher
entre 65 ilhas e dezenas de praias. Não é
preciso agendar nada com antecedência. Basta ir
até o cais e combinar o roteiro direto com os
barqueiros, que costumam cobrar entre R$ 25 e R$ 40
a hora -vale a pena pechinchar. |
As ilhas e praias mais conhecidas estão do lado direito
da cidade, e é para lá que a maioria dos turistas
se encaminha. Mas também dá para tentar o
lado esquerdo, mais próximo do mangue: a ilha do
Araújo é uma boa escolha, se o tempo estiver
firme. Em época de chuvas, a água fica muito
turva.
Do lado direito, as opções são muitas:
tudo depende de quanto tempo o visitante tiver. Destaque
para a ilha do Mantimento, linda, com uma construção
que lembra um castelo, e a ilha Comprida, ótima para
mergulho. Boa parte dos visitantes faz uma parada para banho
de sol na simpática praia do Saco da Velha. Mas vale
a pena velejar um pouco mais, até a praia da Cotia,
mais vazia (a duas horas do cais). O barco aporta num pequeno
banco de areia, nada atraente, mas basta seguir por um caminho
de cem metros para chegar a uma praia de águas calmas.
Os aventureiros podem arriscar jornadas mais longas, até
praias como Saco do Mamanguá ou Cajaíba.
É em Trindade que ficam as praias mais bonitas da região.
Mas não é preciso ficar horas num barco para
chegar lá. De carro, são 25 km ao sul: o acesso
fica no km 593 da Rio-Santos, por uma estradinha asfaltada.
Perto da vila de Trindade fica a praia do Meio -na verdade,
duas praias iguais separadas por pedras. Uma caminhada de
25 minutos leva até a praia do Cachadaço, com
águas claras e um verde de encher os olhos. Quem ainda
tiver disposição pode pegar uma trilha e andar
mais dois quilômetros até a praia da Figueira,
onde é comum a prática do nudismo.
Paraty respira cultura. Além
de sediar, todo mês de julho, a festa literária
mais badalada do país, a cidade tem atrações
imperdíveis o ano todo. A primeira, inaugurada em
maio de 2004, é a Casa da Cultura (r. Dona Geralda,
177, tel. 24-3371-2325), instalada num casarão de
1754. A entrada é linda, com duas imensas fotos de
índios e trilha sonora de Villa-Lobos. A exposição
permanente, que ocupa o primeiro andar, criada pela cenógrafa
Bia Lessa, tem vídeos com depoimentos de personagens
de Paraty e cortinas que reproduzem festas da cidade. O
espaço inclui café e lojinha.
Assistir
a uma apresentação do Grupo Contadores de
Estórias é uma experiência única.
O espetáculo 'Em Concerto', em cartaz há dez
anos, é apresentado no Teatro Espaço (r. Dona
Geralda, 327, tel. 24- 3371-1575), às quartas e sábados,
às 21h, R$ 30. Em cena, bonecos de 50 centímetros
de altura, manipulados por atores que se vestem de preto
e ficam na penumbra. A luz se apaga e os bonecos ganham
vida: uma mulher vive um intenso despertar erótico;
dois velhinhos flertam de modo delicado; um casal de pré-adolescentes
ensaia um namoro. Em pouco tempo, o público embarca
totalmente na ilusão.
Sabores da cidade
Frutos do mar, comida tailandesa, cozinha francesa: come-se
muito bem em Paraty. Difícil é escolher entre
os mais de cem restaurantes disponíveis. No Matriz
(pça. da Matriz, 6, tel. 24-3371-2820), o clima é
intimista. Música suave, velas e plantas compõem
o cenário para um belo jantar, com pratos que servem
pelo menos duas pessoas. Destaque para o risoto matriz (arroz
arbóreo, lagosta, polvo, mexilhão, R$ 126),
a moqueca de siri (R$ 40) e o camarão à espanhola
(cozido no azeite de oliva com arroz, R$ 59). Outra ótima
pedida para quem gosta de frutos do mar é o Refúgio
(praça da Bandeira, 1, tel. 24-3371-2447), em frente
ao cais. A casa, que tem uma decoração sofisticada
e clima romântico, é especializada em moquecas:
a mais pedida é de siri catado (R$ 49).
Na entrada do Centro Histórico, o Margarida Café
(pça. do Chafariz, s/no, tel. 24-3371-2441) é
um dos restaurantes mais tradicionais da cidade. Num ambiente
despojado, com música ao vivo, grupos conversam animadamente
até a madrugada. O couvert tem pãezinhos deliciosos
feitos na hora e é obrigatório. Entre os pratos,
destaque para a truta à portuguesa (com batatas souté
e arroz português, R$ 24).
Quem espia pela porta do Thai Brasil (r. Dona Geralda,
345, tel. 24-3371-0127) tem uma agradável surpresa.
Flores gigantes de papel machê, bolas de natal, velas,
mesas estampadas: tudo é colorido e encantado (foto
abaixo). O restaurante é especializado em comida
tailandesa, com muitos pratos picantes. Para não
errar, é melhor pedir a opção 'suave',
com menos pimenta. Entre os destaques, curry verde com frango
(R$ 32) e curry vermelho com camarão e abacaxi (R$
29).
Fora da cidade, uma ótima alternativa para o almoço
é o francês Le Gite d'Indaiatiba (rodovia Rio-Santos,
km 562, tel. 9999-9923). Depois de 20 minutos de carro,
passando por um pedaço de terra, o visitante chega
a um restaurante que reúne o charme francês
com a beleza nativa brasileira. Fica na serra da Bocaina,
em meio à Mata Atlântica. Entre as delícias,
ravióli de taioba (R$ 35) e peixe à manga
rosa (filé grelhado em molho de manga e gengibre,
R$ 65). A casa abre das 13h30 às 21h, mas de dia
dá para aproveitar melhor o visual. É preciso
reservar antes de ir.
Onde ficar
Como a maioria das atrações fica no Centro Histórico,
a melhor pedida é se hospedar por lá e passear
muito a pé. Há várias pousadas charmosas
instaladas em construções antigas. Na Pousada
Porto Imperial (r. Ten. Francisco Antônio, s/no, tel.
24-3371-2323), móveis coloniais, tapeçarias
e cerâmicas dão um tom aconchegante aos 51 apartamentos
(todos com ar-condicionado e TV por satélite). O hotel
conta ainda com piscina, sauna e um jardim interno com bromélias.
As tarifas para a alta temporada começam em R$ 170
(apto. duplo).
fonte: Revista Marie Claire
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